(Des)construção conjunta para o varejo da construção

Como operar a (des)construção criativa no varejo da construção: IA + interoperabilidade + incentivos que destravam resultados.

O Nobel de Economia de 2025, revelado na primeira quinzena deste mês, veio com 2 premissas: destruição criativa e proteção das pessoas. Mas como isso se relaciona com a inovação, com o modelo de corporate venture e com o varejo da construção civil?

A premiação trouxe de volta uma verdade simples: progresso acontece quando novos conhecimentos encontram abertura para reconstrução (com incentivos bem alinhados). E, para reconstruir, muitas vezes é preciso "destruir". No nosso setor, isso significa organizar a colaboração genuína entre os players (indústria, varejo, distribuidores, construtechs, fintechs, corporações, ventures e parceiros de dados) para reduzir atritos e aprender mais rápido. É hora de co-criar o que nos levará adiante! Vemos o varejo da construção como um sistema completo que pode caminhar em harmonia (não dá para inovar em uma ponta sem que a outra seja impactada).

Inovação verdadeira nasce da desconstrução, não da construção.

O nosso modelo de corporate venture tangibiliza esta proposta, pois é, em essência, a indústria tradicional se desconstruindo, repensando velhos modelos que tantas vezes falharam na integração entre corporações e startups.



Por que conectamos "destruição criativa" com colaboração?

O Nobel da Economia 2025 premiou pesquisadores (Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt) pela tese de que a inovação e a destruição criativa impulsionam o crescimento econômico sustentado. Os vencedores mostraram, de diferentes formas, que a destruição criativa gera conflitos que precisam ser administrados de maneira CONSTRUTIVA. E como administrá-los de maneira construtiva se não houver colaboração ente as partes?

"Caso contrário, empresas consolidadas e grupos de interesse, temendo perdas, podem acabar bloqueando a inovação e freando o progresso econômico", explicou a Academia.

E o ponto é justamente este: "grupos de interesses", quando isolados, bloqueiam a inovação e freiam o crescimento. A COLABORAÇÃO precisa entrar no circuito para funcionar como a infraestrutura que transforma esse conflito em avanço. É desafiador deixar de olhar o mercado somente pelas lentes da competição! Mas é fato que, se adicionarmos as lentes da colaboração, o mercado amadurece junto, como um sistema funcionando em sinergia.

Em vez de “cada um pelo seu território”, criamos um arranjo em que a competição continua viva (porque na economia a competição precisa existir), mas cercada de coordenação suficiente para que a destruição criativa gere progresso, e não paralisia.

Para qualquer mercado prosperar em ciclos de mudança acelerada, precisamos equilibrar competição + cooperação.

Não é uma guinada apenas retórica; é uma mudança prática de postura, com menos fronteiras entre as partes envolvidas e mais interoperabilidade, testes bem definidos e incentivos compartilhados.

Para complementar, trago aqui uma citação do CEO Vellore Ventures, Gustavo Faria:

“Empresas já têm processos sólidos, culturas consolidadas e formas de fazer que funcionam. Justamente por isso, precisam aprender a desmontar e remontar com frequência, com propósito, com intenção e de forma colaborativa, caso contrário poderão pagar um alto custo.”

Vale mencionar que a Vellore Ventures é uma multicorporate, ou seja, é formada por empresas que podem até competir, mas também colaboram entre si.



IA como impulsionadora da desconstrução e da aprendizagem

Não temos como falar de inovação e colaboração sem considerar que vivemos, atualmente, o ápice de mais uma grande revolução tecnológica: a Inteligência Artificial. A IA encurtou a distância entre conhecimento e operação. Normas técnicas, catálogos, regras de crédito e de logística deixam de ser documentos estáticos para virar instruções vivas, que, com IA bem implementada, se atualizam conforme cada nova venda, cada entrega, cada exceção tratada.

Quando o aprendizado volta rápido para o sistema, o custo de experimentar cai. Esse novo ritmo pede redes capazes de aprender em conjunto.

As oportunidades genuínas de desconstrução, aprendizagem e transformação colaborativa usando IA no varejo da construção são muitas. Apenas como exemplo, podemos citar:

  • Padronização de atributos de SKUs críticos (para tornar o catálogo “legível por máquina”, reduzir erro de orçamentação e acelerar integrações, encurtando o caminho entre orçamento e pedido)

  • Integração de sistemas via API (para eliminar retrabalho e latência entre BIM/ERP/e-commerce/logística, permitindo que cada evento volte como dado de melhoria contínua);

  • Tomada de decisões de crédito em segundos com dados de obra (para aumentar conversão no carrinho, reduzir abandono e calibrar risco por pedido, não só por CNPJ, com inadimplência sob controle);

  • Cumprimento das janelas de entrega (para elevar OTIF, diminuir custo de exceções e fortalecer confiança do cliente, o que volta em recompra e ticket maior).


Mas estes são apenas alguns exemplos de pontos abertos para inovação no setor. Em todos, o fator comum é transformar dado operacional em melhoria contínua e fazê-lo em rede. Isoladamente, cada elo até avança; em conjunto, a curva acelera!

Loop de aprendizagem impulsionado por IA - varejo da construção

“Não estamos mais falando de adaptar-se a um novo mundo, mas de aprender a desapegar do anterior. De abrir espaço para o que ainda não existe.” - Gustavo Faria



Incentivos que destravam a inovação no Varejo da Construção

Aqui na Vellore Ventures, operamos no modelo híbrido de CVC (Corporate Venture Capital) e CVB (Corporate Venture Builder). Esta combinação nos permite atuar no modelo EAS (Equity as a Service), oferecendo capital intelectual, acesso a mercado e aporte financeiro progressivo condicionado à performance. Entramos cedo no projeto (em startups early-stage) com time hands-on e redes de distribuição parceiras, rodamos pilotos com gatilhos claros e liberamos novas etapas conforme marcos comprovados. À medida que essa evidência aparece, o co-investimento progride, evitando projetos que se arrastam sem decisão. O formato também ancora o apetite ao risco onde ele é mais importante: logo no início. Assim que os gatilhos são acionados, ampliamos escopo e escala com governança enxuta e co-participação do nosso comitê; quando não acontecem, ajustamos rápido ou encerramos o ciclo.

Ao lado disso, um comitê interempresas colaborativo, leve, ativo e com poder de decisão evita a “paralisia por alinhamento” e mantém o ritmo de execução. Por aqui, esse comitê funciona entre empresas acionistas, como Grupo Vellore e Rede G8 Materiais de Construção, startups e demais corporações parceiras.

Ninguém, sozinho, conseguirá entregar preço vivo confiável, crédito imediato, uma entrega que respeita o ritmo da obra ou qualquer outra transformação no setor. O Nobel de 2025 nos oferece esta “moldura teórica", falta operacionalizar essa visão com cooperação disciplinada, desapego ao "que sempre deu certo", descontrução e proteção de times/pessoas. Se escolhermos interoperabilidade desde o primeiro dia, pilotos com começo, meio e fim e incentivos que alimentam o loop de aprendizado, transformaremos a desconstrução criativa em vantagem competitiva compartilhada. É assim que passamos a construir o mercado JUNTOS.

Colaboração não é apenas um “gesto simpático”; é uma infraestrutura de "desaprendizagem" e aprendizagem COLETIVA que transformará todo o mercado. Isso começa por proteger pessoas, não processos (uma das premissas destacadas pelo Nobel 2025). Significa reduzir o medo da mudança com transparência de metas, trilhas de requalificação de times e uma cultura que recompensa quem é intencional no "destruir" o que foi, no cocriar, no colaborar, realizar, aprender, desaprender, construir novamente, até que haja entrega de valor real para toda a cadeia.

“Desconstruir é o novo construir. Inovação não é atalho, é caminho.”

Topa o desafio?

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Artigo assinado por: Jaque Roeher Backa | Head of Marketing & Growth Brand | IA Enthusiast


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